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DORES DE CABEÇA

 

Elas atingem quase 90% da população em pelo menos algum momento da vida

 

Pergunte à sua volta e você irá constatar que a grande maioria das pessoas já sofreu ou sofre com dores de cabeça. De um leve desconforto a uma dor incapacitante, as cefaleias, como são conhecidas cientificamente as dores de cabeça, atingem a grande maioria das pessoas, incluindo as crianças. Segundo os médicos, há cerca de 150 tipos diferentes de cefaleia, que são divididas em primárias ou secundárias. Há algo, porém, que é comum a todas elas: devem ser tratadas com orientação médica.

Diferenças

A cefaleia mais comum é a primária. Nela, há distúrbios bioquímicos no cérebro que prejudicam o funcionamento dos neurotransmissores e/ou seus receptores, causando a dor. As enxaquecas e as cefaleias tensionais (ou em salvas) são exemplos de dores primárias. Já as cefaleias secundárias são sintomas de outras doenças – graves ou não – como tumores, aneurismas, gripes, meningites, infecções de ouvido, hipertensão, sinusite, problemas ortodônticos, etc.

Dores tensionais ou em salvas

Menos comum do que a enxaqueca ou a dor de cabeça tensional, a dor em salvas é uma das dores mais intensas descritas pela medicina. Ela é assim denominada porque “salva” é o período de tempo, em meses, durante o qual ocorrem as crises. Ao contrário da enxaqueca, este tipo de cefaleia acomete mais os homens entre 20 e 40 anos e é caracterizada pelos pacientes como “pontadas” ou “facadas” de um só lado da cabeça. As causas dessa dor ainda são desconhecidas, mas uma disfunção em um núcleo do hipotálamo parece estar relacionada a ela. Além disso, estudos recentes sugerem uma relação entre a dor de cabeça em salvas e distúrbios do sono, como ronco e apneia. A dor em salvas é rítmica e a proximidade de um novo episódio causa grande ansiedade nos pacientes. Durante uma crise, estes episódios podem ocorrer até 8 vezes em um só dia! O diagnóstico da cefaleia em salvas não é simples porque muitas vezes a dor é confundida com nevralgia do nervo trigêmeo ou problemas dentários. O tratamento passa por medicação para as crises – que inclui remédios injetáveis e uso de oxigênio – e medicações preventivas, que costumam ser tomadas diariamente, durante alguns meses. Já as dores de cabeça tensionais, as mais comuns que existem, estão relacionadas à contração anormal de grupos musculares da face, ombro e pescoço. Embora não sejam incapacitantes, as cefaleias tensionais causam desconforto e podem ser episódicas ou crônicas. Embora comum – segundo um estudo dinamarquês ela afeta 87% da população mundial –, a cefaleia tensional deve ser tratada pelo médico e princípios ativos como paracetamol, cafeína e ibuprofeno dão bons resultados. Durante os momentos de dor, respirar calma e profundamente ou fazer algum exercício de relaxamento também ajuda. Para evitar os episódios de cefaleia tensional, vale a pena investir na qualidade de vida. Exercícios físicos – que liberam endorfinas –, alimentação balanceada e controle da ansiedade e do stress colaboram para manter a dor distante.

A temida enxaqueca

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 324 milhões de pessoas no mundo todo têm enxaqueca (também chamada de “migrânea com aura”). As causas do problema não são completamente conhecidas. Acredita-se que terminações nervosas que inervam os vasos das meninges (membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal) liberem substâncias que provocam dilatações das artérias meníngeas, acompanhadas de inflamação. Em pesquisas realizadas com famílias e gêmeos, verificou-se que a enxaqueca tem forte componente genético. Alguns fatores emocionais também parecem estar fortemente relacionados à enxaqueca: um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo mostrou que, entre pacientes com enxaqueca crônica, 76% têm transtornos de ansiedade e 50% apresentam distúrbios do humor. As mulheres são as que mais sofrem: para cada homem, seis mulheres podem apresentar sintomas como dor latejante ou pulsátil que pode durar dias e piora com atividades físicas e movimento; náuseas e vômitos; sensibilidade à luz e ao som; intolerância a odores e sintomas neurológicos, geralmente visuais, conhecidos como auras. Segundo o médico neurologista Dr. Abouch Valenty Krymchantowski, especialista no tratamento das dores crônicas de cabeça, a chegada da enxaqueca costuma dar indícios, chamados de pródromos. Desconforto na cabeça, irritabilidade, falta de concentração, dificuldade de raciocínio, bocejos frequentes e alterações visuais como brilhos e manchas são alguns dos sinais que podem indicar o começo de uma crise. O tratamento da enxaqueca inclui medicamentos e novos hábitos de vida. Sono regular, controle do stress, dieta que restrinja alimentos que funcionem como gatilhos para os episódios de dor e exercícios físicos regulares são ótimos aliados. O tratamento farmacológico, que deve ser feito com indicação médica, é usado para aliviar os sintomas da crise e também para evitar que elas se repitam. O princípio mais importante na enxaqueca já instalada é que o medicamento seja administrado assim que a dor se manifesta. Aguardar até os sintomas ficarem mais fortes exigirá doses mais altas de medicação, além de mais tempo para o alívio. Durante as crises, repouso em ambientes escuros, silenciosos e bem ventilados, além de compressas frias na cabeça e testa, pode ajudar. Alguns pacientes também se sentem melhor após um período de sono e uma boa hidratação, com bastante ingestão de água – cuidados que também têm sido indicados pelos médicos.

A enxaqueca e o estrogênio

Até a adolescência, a incidência de enxaqueca é similar em ambos os sexos. Após a puberdade, porém, as crises atingem um número muito maior de mulheres. “Grande parte disso se deve ao fator hormonal, em particular ao hormônio estrogênio”, afirma o Dr. Abouch Valenty Krymchantowski. Esta é a razão pela qual 65% das mulheres apresentam crises mais severas durante o período menstrual: “Muitas têm enxaqueca durante todo o mês, mas pioram nesse período”, completa Krymchantowski. Nestes casos, a dor deve ser tratada de forma objetiva para que não se prolongue. “Já a prevenção deve ser feita com o uso de drogas tomadas ao longo de todo o mês ou apenas antes e durante a menstruação, nos casos em que a dor se restringir a esse período”, diz o médico.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, existem 10 situações que podem desencadear as crises de enxaqueca:
1) Stress e ansiedade
2) Jejum prolongado
3) Períodos curtos de sono
4) Ciclo hormonal das mulheres
5) Irritabilidade e alterações de humor
6) Excesso de cafeína
7) Vida sedentária, sem exercícios físicos
8) Uso abusivo de analgésicos
9) Consumo de alimentos como o chocolate, frutas cítricas, gordura, glutamato monossódico, adoçantes e derivados do leite
10) Componentes genéticos



Crédito: Revista Plena

   

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